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Domingo, 19 de Setembro de 2021
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Rumo a Tóquio: Rufino vai estrear nos Jogos Paralímpicos e realizar um sonho adiado em 2016
“Se fosse fácil, teria mais gente chegando aqui, mas não é assim. Isso é para poucos, para quem nasceu para competir e ser atleta” diz o Cowboy de Aço

Fernando Rufino, o “Cowboy de Aço”, conta os dias para realizar um sonho: competir nos Jogos Paralímpicos.  O caminho até garantir um lugar na comitiva brasileira para a edição de Tóquio 2020 foi árduo. “Tudo isso é resultado de uma preparação que começou em janeiro de 2017. Desde lá, meu foco era ir para Tóquio. Foi uma vivência intensa de treinamento e de muito aprendizado. Se fosse fácil, teria mais gente chegando aqui, mas não é assim. Isso é para poucos, para quem nasceu para competir e ser atleta” avalia o atleta. 
 
O Cowboy de aço já havia garantido a sua vaga em Szeged, Hungria, na edição do Mundial de Paracanoagem. Rufino embarca para o Japão confiante, afinal, na Copa do Mundo de Canoagem, realizada em Szeged, o cowboy subiu ao pódio duas vezes. Foram 2 medalhas de ouro, uma na prova dos 200 metros da VL2 (canoa para atletas que utilizam braços e tronco para a remada) e outra na prova de 200 metros da KL2 (caiaque para esportistas que usam braços e tronco para movimentar o barco). Em Tóquio, irá competir nas mesmas categorias.
 
“Troquei a emoção de estar 8 segundos em cima de um touro para os minutos de uma prova de 200 metros”
A história de Rufino na canoagem é recente, porém marcante. Aprendeu a remar em 2012 e de lá para cá, competiu em 20 países. Até então, Rufino era peão de rodeios, “Acredito que a canoagem é uma continuação da minha vida no esporte, que começou com a montaria. Os rodeios eram meu ganha-pão. Tive uma carreira curta, mas vitoriosa montando. 
 
Ele perdeu o movimento das pernas em 2005, por conta de uma lesão na medula, causada em um acidente grave de ônibus, onde fraturou as vértebras T12 e L2.  “Troquei a emoção de estar 8 segundos em cima de um touro para os minutos de uma prova de 200 metros”.
 
Cowboy de Aço é um apelido sob medida para Rufino, que além do acidente de ônibus, já enfrentou outras adversidades: foi pisoteado por um touro, fraturou o rosto com uma anilha na academia e teve sua casa atingida por um raio.
 
“Vemos um pouco de aumento na categoria iniciante e de base, além de destacar o profissionalismo dos atletas que já estavam em evidência no esporte. Tem atletas querendo se aposentar e outros que estão de olho nisso, remando para estar em um nível de competição internacional e ocupar esses lugares”.
 
Essa é a realidade de Rufino. Hoje, a canoagem é sua profissão, com todos os ônus e bônus. “É um caminho prazeroso e, às vezes, amargo. Mas sempre realizado com muita dedicação. Não é fácil ficar longe da família, amigos, do seu ‘habitat natural’. Tem momentos que você se questiona, mas, quando conquista uma medalha, tem certeza de que faria tudo de novo. É meu trabalho.”
 
O sonho de representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos poderia ter iniciado na edição na Rio 2016, onde houve a estreia da Paracanoagem no cronograma paralímpico mas Rufino acabou ficando de fora quando os seus exames apontaram problemas cardíacos. “Agora, acho que a minha conquista será dobrada. Uma medalha da Rio 2016 e outra em Tóquio” promete o cowboy.
 
Depois do Japão, Cowboy diz que irá visitar centros de treinamento e de Paracanoagem, e também dar uma passada na cidade da sua família, Itaquiraí, localizada no sul do Mato Grosso do Sul. “Quero ficar perto da minha família e trabalhar um pouco com meus bois, meu sítio e retomar minha vida campeira. Claro, vai dar pra descansar um pouco, mas no ano que vem, temos que remar o Mundial e, se Deus quiser, me preparar para os Jogos Paralímpicos Paris 2024”, fala.